São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Quando eu virar passarinho

Pra mim os melhores dias são os que acordo me sentindo um pedaço de céu, um pedaço de mar, um pedaço de tudo e de nada, que não tem definição e traz paz. É quando me sinto um farelo no meio de tantos outros, dançando pra vida, sendo levado pelo vento, dançando na ponta dos pés. São os dias em que as borboletas adentram pelo meu pescoço e se alojam no meu estomago. Fazem cócegas e eu não consigo deixar de sorrir. São os dias em que sinto a vida roçar no meu rosto e percorrer meu corpo, como mil orgasmos prolongados e sinto aquele prazer incomum de tomar consciência de estar viva. Me sinto feliz, tão feliz, ao ponto transbordar nas pessoas, derramar, expandir. Meu espírito voa solto, sem corpo e sem caixa procurando despejar o que tem de melhor, sugar o que tem de melhor. São os dias em que me sinto como um pedaço de qualquer coisa que um tornado destruiu e, mesmo assim, inabalável. São os dias em que as pedras não me atingem porque minhas asas são de pó, quanto mais se assopra mais elas se espalham e eu adoro ficar espalhada, eu adoro me recompor e recompor-me. Eu gosto de ser muitas. Gosto de ser pouco e do pouco me preencher. Eu gosto de ser maiúscula e de ser pequena. Eu gosto de encontrar minha força no que há de mais sensível. Eu gosto de me sentir o sangue que corre nas veias do universo, sem destino algum, sem pesar, sem parar. Eu gosto de sentir que posso rodopiar com os pássaros - e eu posso - sentir que vou ser leve, não só hoje, nem só amanhã, mas por todos os dias que em que eu possa existir, até o dia em que um salto me faça não só rodopiar com os pássaros, mas que eu possa ser um pássaro. Até o dia em que eu só precise voar.



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