São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tóxica



Um dia, um velhinho me disse que eu era flor no meio de ervas daninhas, que eu era pétala rasgada por mãos ásperas, eu era sensível e o meio asqueroso. Eu cresci sabendo que quem me abraçava com carinho poderia me socar com avidez, as mãos que me afagavam penetrariam meus olhos com a força de cem homens. Tudo que estava ao meu redor era tóxico. E o terreno que apoiava meus passos era areia suja e movediça. O ruim de conviver com pessoas tóxicas é saber que dificilmente você conseguirá se livrar delas, e com isso, permanecemos em um eterno ciclo de alegrias seguidas daquele golpe que você já cansou de receber, mas que tem plena consciência, de que não importa se está farta do veneno injetado em tuas veias, deverá aguentar, porque ainda não terminou. Eu me acostumei a reerguer-me com a força do ardor das cordas que rasgavam minha pele à água e sal. Eu chorei por noites seguidas e achei que eu era podre e fraca. Eu achei que deveria morrer. E então, eu me tornei tão tóxica quanto cem mil bombas nucleares. Eu me tornei letal e desprezível. Eu me tornei forte e intragável. O ruim de conviver com pessoas tóxicas é tornar-se uma pessoa tóxica. 

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