São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Outra carta.




17 de outubro de 2016.

Olá, lembra de mim? Eu te escrevi no dia 17 de outubro de 2011, a sétima carta daquele mês, a enésima daquele ano, era um fim de tarde e eu estava decidida a não aguentar mais.Você provavelmente recebeu minha carta e me esperou, por isso, te peço desculpas. Eu tentei, mas eu não contava com o que aconteceria depois. Você sabe, eu planejei tudo por muito tempo, mas a vida amassou tudo e me fez improvisar.
Naquela noite, as luzes se apagaram eu sentia uma felicidade robótica correr nas minhas veias, eu ri e chorei. Eu sentia alívio e medo. Eu não sabia o que viria a seguir, mas eu esperava que fosse a paz. Eu não sabia pra onde eu estava indo, mas eu esperava que fosse mais bonito que os pores do sol que eu abriria mão. Que eu descanse em paz, eu dizia. Uma lágrima caia e eu gargalhava. Não vai mais doer, não vai mais doer, cantarolavam baixinho ao meu ouvido. Dizia adeus as minhas dores, dizia adeus aos meus amores, tudo tem um preço a se pagar. Eu cuspi minha alma e tremi a noite inteira. Na manhã seguinte, o mundo acordou e pra minha decepção eu também.
Mas eu já tinha a resposta pra tudo de ruim que pudesse me acontecer,eu tinha a solução pra qualquer dor que viesse me acometer, mas eu não sabia o que fazer se a vida me fizesse... Feliz? Pois foi o que ela fez. Quando dei por mim, precisava improvisar. Eu precisava ficar pra me apaixonar, pra rir, pra ver o por do sol. Eu precisava estar aqui pra ouvir o barulho do mar, sentir o vento no meu rosto e ouvir a gargalhada de uma criança. Eu precisava sentir a eletricidade da vida dar vida ao meu corpo, que há tempos havia esquecido como ver beleza e cores,como permitir-se ser feliz. Eu era marionete na mãos poderosas do tempo, eu ditei meus caminhos e me dei mal muitas vezes, mas em cada curva eu vi algo, eu vi alguém, eu senti, eu amei e tudo isso porque no outro dia eu acordei, tudo isso porque eu fiquei.

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