São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

domingo, 6 de novembro de 2016

Ela e eu.

Ela adora a exatidão e eu adoro a abstratividade. Ela tem medo do desconhecido e eu adoro um mistério. Ela gosta de ter o futuro nas mãos e eu gosto de que ele me tenha. Eu adoro falar sobre poesias e ela acha tudo uma bobagem. Eu gosto da intensidade e ela não se arrisca além da superfície. Eu acredito em amores de um dia e ela sonha com a rotina. Ela quer um amor que dure pra sempre, eu só quero amar qualquer coisa que me faça ter vontade de continuar vivendo. Ela odeia sujar os pés de areia e eu adoro o mar. Ela acha que noite é pra dormir e eu acho que noite é pra observar a lua, tomar um vinho e fazer amor. Ela quer conhecer monumentos históricos e pontos turísticos e eu quero lembrança cravada no peito de que pintei de amor os meus caminhos. Eu acho que sou um balão, ela acha que sou uma âncora. Eu não sei por quanto tempo estarei aqui, ela acha que temos a eternidade. Eu explico que nasci pássaro, ela entende que nasci arara e amo pra vida inteira. Eu sorrio quando um raio de sol insiste em atingir meu rosto, ou o vento desarruma meu cabelo, eu me emociono com as pessoas que encontro na rua e me angustio com suas histórias e guardo tudo pra mim, não quero que ela revire os olhos pro meu excesso de sensibilidade quando ela só enxerga a minha máscara de valentia. Às vezes, eu acho que estaremos pra sempre juntas e ás vezes eu não sei se passamos de amanhã. 

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