São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Eu me dou conta todos os dias de que sou uma bomba-relógio
Eu sempre estou pronta pra explodir
Amor, raiva, dor, ardor
Tudo me vem demais à cabeça
Sou a bula da superdosagem de algum sentimento que não se sabe identificar
Eu fico sempre a me perguntar se sou em excesso
Ou se as pessoas disfarçam que também moram numa casa alagada do que escapou de dentro
Eu queria morrer hoje.
Esse é o primeiro pensamento que vem à minha cabeça, antes mesmo que eu possa abrir os olhos, todos os dias
Tão bom seria morrer hoje.
Mas a gente não se da conta da definitividade da morte
Até que ela cai como uma bigorna em nosso colo
Ou o que costumava ser um
Eu passei a ser tão frágil agora que tenho tudo a perder
Não deveria ser o contrário?

sábado, 9 de dezembro de 2017

Existem duas forças brigando em mim, talvez três ou quatro.

A Primeira delas é tão boa que chega a doer no coração da Segunda, ela chora pelas dores dos outros e é contida pela Outra pra que não carregue o mundo no colo. Sua existência é dolorida porque absorve e sente todas as dores que circulam por aí, sofre dias de sua vida pela vida que cruzou o seu caminho, não esquece dos rostos, de suas histórias e da bondade que recebe, tem facilidade pra ler cada ser humano e seus pontos fracos, ela quer ajudar e não tem medo de excessos, de se doar, de ficar sem, porque a dor de ser indiferente ao outro é pra ela sempre pior, por isso ela chora quando a ambulância passa gritando às pressas, ela se sente constantemente impotente e muito embora pareça frágil, me domina na maior parte do tempo, ainda que ponderada pela Segunda.

Já a Segunda, é o oposto. Pense em algo cruel e multiplique por um milhão, o resultado é a sua essência. Ela é sádica e mentirosa. Ela finge estar quieta e quando vejo, dominou a Primeira que nem sabe estar sendo manipulada, não ela não é de combate limpos, ela é elegante e silenciosa em suas batalhas e quando se instala, não há quem saiba onde ela começa ou onde termina. A Segunda destrói tudo ao seu redor, nem que pra isso tenha que se auto destruir. Calculista como é, tenta controlar cada músculo do seu corpo e fica ensandecida quando a Primeira, com toda a sua capacidade de leitura, entrega seus propósitos e tenta consertar o que demorou tanto pra conseguir.

Na maior parte do tempo contável, elas convivem em equilíbrio. A Primeira evita que a Segunda se exteriorize, pra que não as envenene com o próprio ódio e ela, por sua vez, tenta mostra-la que nem só de pessoas boas o mundo é feito. Mas em alguns momento, a Primeira cansa e não aguenta mais ser forte, controlar todos impulsos, de tentar arrastar as duas pra o meio da linha dos extremos, são vilã e mocinha convivendo num corpo pequeno demais e quando o conflito se acirra, surge As Outras, elas ficam no fundo esperando o momento para agir, costura aqui, tapa dali, são forças neutras, nem sempre más, nem sempre boas.

[continua]
quando tento machuca-la meus dedos voltam sujos de mim mesma

Aqui jaz meus sonhos.

Depois de 22 anos, meus sonhos dão seus últimos suspiros.
Entrei em uma parte da vida em que encostar a cabeça na janela do ônibus e observar as coisas que vem e vão não me deslocam do meu assento, não me provocam curiosidade e nem me acalmam.
Penso nas obrigações que deixei de cumprir pra dormir mais uma hora, como se aquilo fosse um crime e nas contas que ainda tenho que pagar com o dinheiro que nunca cheguei a ter.
Aos poucos vou me dando conta que nenhum milagre acontecerá, assim como a maioria das pessoas, vou viver limitando meu lazer e felicidade à expectativa de ganhar algum dinheiro pra me manter.
Durante a minha história, até aqui puder contar com uma incrível capacidade de viver uma realidade diferente da minha, eu sempre achei que era sonhadora, porque ainda que eu soubesse que não vivo naquele mundo, eu fazia questão de achar que algum dia poderia viver. Todos os dias me dou conta que não, e sinto a esperança e o cansaço brigando aqui dentro.

Aqui jaz os meus sonhos e desse túmulo nenhuma rosa nascerá.
Eu estou cansada. Quem nunca esteve?
Esse cansaço que não tem a ver com as horas dormidas ou de trabalho despendido.
Tem a ver com o quanto eu mudei.
Eu estive em um estado de flutuação por muito tempo. Foram meus dias bons.
Mas agora tudo de que eu havia fugido, bate a minha porta e me acerta em cheio.
Nesse momento, tudo o que eu penso é que esse seria um ótimo dia pra morrer.
Se é meu passado que me bate a porta, porque eu falo de mudanças?
Porque eu já não sou tão forte quanto eu já fui.
Você já brincou de teatro? De ser alguém que não é?
Está tudo bem ficar aqui até que você deixa de acreditar na possibilidade de mudança, você deixa de achar que as coisas um dia darão certo. Você está sozinha com um multidão e sente que é a âncora que atrasa as suas vidas.
Eu não queria ser quem eu sou.
Eu estou me afogando a todo momento e a única coisa que me faz relaxar é imaginar que com uma faca estou fatiando minha pele em vários pedaços.
Você já sentiu se afogar?
As vezes acho que meu maior ato de coragem seria parar de tentar respirar, parar de lutar e ser forte o suficiente pra desistir.

Suicídio

Eu não sei, minha religião fala do umbral. Mas no meu coração, eu não acredito que seja verdade porque acredito num Deus compassivo e amoroso que vendo que seu filho não aguentou sofrer tanto, não ia infligi-lo a mais um sofrimento. Acredito que pessoas que sofrem, tanto em vida como em morte, precisam de ajuda e não de castigos e de ameaças. Mas isso é minha opinião pessoal, não é embasada em nada. Já tentei suicídio e penso nisso diariamente, e espero que se um dia ocorrer, eu tenha mais compreensão lá do que eu tive aqui.
Por vezes eu tenho a impressão que nunca vou conseguir ser feliz. Feliz de verdade, sabe? Ser alcançado pela plenitude no furacão. Eu examino minha vida antes de dormir e vejo que eu tenho inúmeros motivos para ser feliz e sou. Mas você lembra daquele dia da sua infância que você corria como um super-herói, sentindo o vento bater no rosto e o coração martelando forte no peito, enquanto um grande sorriso rasgava seu rosto até que você tropeçou nos próprios pés e chorou até dormir? Talvez você não lembre, mas eu sinto como se meus dias fossem repletos de estímulos positivos e vários tropeções nos próprios pés. Eu sou toda cicatriz, mas os cortes fui em quem fiz.
Eu não consigo entender porque sou atingida tão profundamente com coisas que para todo mundo não chega a ser uma grande questão.
O olhar daquela senhora no ônibus.
Será que fui rude naquela conversa em 2007?
Por que eu tinha que dizer aquilo para ela em 2011?
Não vão mais gostar de mim porque eu não consigo segurar meus impulsos de falar o que não devo.
Mas para ser justa, tenho que dizer que em alguns dias sou atingida por doses cavalares de felicidade. Imagino que seja o mesmo efeito de algumas drogas que as pessoas procuram noite adentro para preencher suas lacunas. É o vento no rosto, é o solzinho que entrou pela janela, é o quadrinho novo que eu pintei, é aquela personagem de livro incrível que eu conheci, é aquele abracinho de bom dia, é o sorriso daquela criança do banco da frente no ônibus, é aquela amiga que me liga e diz que festa nenhuma é igual se eu não for, mas então, com toda fugacidade que existe ela vai embora, porque novamente eu tropecei nos meus próprios pés.
Seja qual for o sentimento, aqui dentro é I N T E N S O, tudo é potencializado. Mas nenhum deles fica tanto tempo quando a angústia e a tristeza que habitam o meu peito. Eu só queria saber como coloca-los para correr daqui, mas nenhuma bebida adiantou, nenhum veneno, nenhum corte para exorciza-los de mim, no fim da noite, eu tropeço e acordo sendo esmagada pelos inquilinos mais ingratos da minha mente.
Em nenhum momento eu sinto que posso esvaziar a cabeça. Está sempre lotada e nem sempre sou eu que encho. Os transtornos deixaram apenas uma pequena parte pra eu administrar e meu maior medo é que eles me expulsem do meu próprio corpo.
Eu tenho tudo para ser feliz e porque não sou?
Eu tenho tudo para continuar querendo estar aqui e porque eu não quero?

Eu não sei quanto tempo ainda vou suportar ficar aqui se eu não obter uma ordem de despejo para as causas dos meus tropeços, porque não se engane, tropeçar faz parte da vida, assim como o sofrer, o amar, o aprender, mas o tropeço do qual estou falando, nem todo mundo será capaz de entender, porque aqui ele é sinônimo de afogar, cortar a carne, se desesperar, de te tornar um telespectador da tua própria existência, levantar nunca foi tão difícil.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Hoje, eu cai.
Cai como há muito tempo eu não havia caído. Me vi ávida por algo que iria me ferir, somente pra liberar algo que caso não externalizado, me mataria. 
O que fazer quando o seu maior inimigo é você mesma ou algo que habita em ti, desde que você entendeu que existia.
Eu senti o peso de mil homens sobre o meu peito e achei que não aguentaria.
Até que eu pensei em ti e em tudo que você não merecia passar, em tudo que eu não julgo merecer.
E eu, realmente, não sei se mereço você. 
Eu sempre pensei que não podia ser egoísta ao conhecer pessoas maravilhosas, pessoas assim são bem pro mundo e não podem ficar guardadas em um só peito e mesmo com todas as minhas inseguranças o correto é deixa-las voar.
Você não é minha. Não é algo que eu possuo. É alguém que tem aceitado estar comigo. Mas de alguma forma, eu sinto que, depois de anos em que nossas histórias se cruzaram, que nossas vidas se fundiram e correm lado a lado, eu não sei se suportaria deixar você ir.
As vezes, a noite, eu tenho um pesadelo qualquer e não consigo dormir, peço a Deus o quem quer que esteja no comando pra te proteger porque algo de bom aconteceu pra mim, porque do meu lado na cama está a pessoa por quem eu mais torço nessa vida.
Sim, eu sinto medo de que você encontre alguém tão iluminada, tão inteligente e tão boa quanto você.
Alguém que seja mais bonito ou não, porque eu sei que você não liga exatamente pra isso.
Mas alguém que preencha as lacunas que eu não consigo, saiba lidar com o que eu não lido e que sim, mereça o amor que você tem, que você é.
Eu tenho sido refém dos meus medos desde o início, de tempos eu tempos eu me sinto dessa forma.
Mas eu  juro que estou tentando me encontrar.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

04:59


Eu sempre achei que fosse morrer cedo, deixando algo inacabado.
Não por uma questão de mistério que transcenderia minha existência, mas por uma simples e bizarra vontade da vida me deixar profundamente puta.

Talvez eu morresse no momento em que o finalizo. Teria em mãos um lápis, um pincel, uma arma,  algo acabado. Mas certamente, ainda teriam pontas soltas, talvez uma palavra escrita de forma errada ou uma que se repetisse por tantas e tantas vezes que eu tivesse muita vontade de voltar somente para consertá-la.

Nos meus últimos momentos, eu não sei se pensaria sobre o amor, sobre Deus ou sobre a morte. Não sei se eu conseguiria pensar naqueles parágrafos que deixei de escrever ou naquele quadro que deixei de pintar por perder tempo ouvindo o que os outros tinham a dizer.

Será que eu gastaria tudo pensando em como meu encontro com o dela foi como chegar a calçada após atravessar uma avenida lotada de carros e por pouco não ser atropelada várias vezes?

Talvez naqueles últimos minutos em pensasse no quanto eu não merecia ir pra um local bom, porque se eles estivessem certos a respeito da máxima em que pessoas boas vão a lugares bons, eu tenho certeza que não seria uma delas.

Será que vou me perguntar se podia ter sido melhor do que fui?
Será que eu sentiria frustração e medo, mesmo tendo desejado morrer tantas vezes?

Porque agora eu tenho sentido como se o mundo inteiro corresse enquanto eu congelo e não consigo me mover ou  pensar sobre as respostas das milhares de perguntas que eu mesma me fiz. E talvez, só talvez essa seja a 

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