São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

04:59


Eu sempre achei que fosse morrer cedo, deixando algo inacabado.
Não por uma questão de mistério que transcenderia minha existência, mas por uma simples e bizarra vontade da vida me deixar profundamente puta.

Talvez eu morresse no momento em que o finalizo. Teria em mãos um lápis, um pincel, uma arma,  algo acabado. Mas certamente, ainda teriam pontas soltas, talvez uma palavra escrita de forma errada ou uma que se repetisse por tantas e tantas vezes que eu tivesse muita vontade de voltar somente para consertá-la.

Nos meus últimos momentos, eu não sei se pensaria sobre o amor, sobre Deus ou sobre a morte. Não sei se eu conseguiria pensar naqueles parágrafos que deixei de escrever ou naquele quadro que deixei de pintar por perder tempo ouvindo o que os outros tinham a dizer.

Será que eu gastaria tudo pensando em como meu encontro com o dela foi como chegar a calçada após atravessar uma avenida lotada de carros e por pouco não ser atropelada várias vezes?

Talvez naqueles últimos minutos em pensasse no quanto eu não merecia ir pra um local bom, porque se eles estivessem certos a respeito da máxima em que pessoas boas vão a lugares bons, eu tenho certeza que não seria uma delas.

Será que vou me perguntar se podia ter sido melhor do que fui?
Será que eu sentiria frustração e medo, mesmo tendo desejado morrer tantas vezes?

Porque agora eu tenho sentido como se o mundo inteiro corresse enquanto eu congelo e não consigo me mover ou  pensar sobre as respostas das milhares de perguntas que eu mesma me fiz. E talvez, só talvez essa seja a 

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