São asas que eu nunca pude usar.

Um diário. Um desejo. Um desabafo. Um desaforo. Um suor que escorre do coração aos dedos. Uma insônia que atormenta. Um medo, que transborda. Pensamentos que reviram e remexem e acabam vindo parar aqui.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Para: Um amor razoável

Dentre as muitas coisas que você me causa, adoro essa falsa dependência emocional e mútua. Esse elencamento desprezível de ações em prol de aquecer nossos corações, quando na verdade, esse é o máximo na escalada do que nós temos em mãos. Amo essa escada sensitiva de emoções e sensações ecoando pelo meu corpo, ora oco, ora encharcado do que você julga conhecer, e muitas vezes, do que você nunca viu, mas que insiste em escorrer dos meus olhos. É o que eu não suporto, eu me importo e recordo, é o que eu não esqueço. É muito pra mim. Meus ombros pesam, contrasta com a minha felicidade que em absoluta certeza, não está a inundar-me como esteve a pouco. Essa vida dupla não edifica minhas raízes. A profundidade em que enterrou-se em mim, não se encaixa à razoabilidade da superfície a que temos nos dado, quando o que há de mais puro, foi traduzido dos teus olhos aos meus. O que me destrói, me ergue. E o que quer que tenha me causado essa continuidade inquebrável, me mostrou também o que é se dar mais pra si, não voltar-me pra outrem sem que seja pra me auto-felicitar, de forma completa. Não quero amor razoável, quero amor insuportável. Quero amor inteiro.

Um sonho de feliz

Eu sonhei que eu era tela
Sem-cor, sem-nada
Ao redor três frascos de tinta
Investiam contra meu corpo
Vinte ou mais golpes
Líquido, lânguido, promíscuos
Acordei em prantos
Pra ser alegre é preciso sentir dor?
A alegria que me encarde é o que me mancha de feliz?
Pra ser alegre tem que se deixar colorir?
Pra ser alegre deve-se aceitar essas cores? Pra ser alegre basta querer ser? Pra ter cores é preciso sonhar? De quantos sonhos é feito um arco-íris?

segunda-feira, 9 de março de 2015

Eu fico

Teus dons
Teus gestos
Sem jeito
Sem nexo
Sem voz
Sem cantoria
Nesse frio, quem te aquece?
Cadê quem te cuida? 
Te aceita
Te enche de amor
Te abala as estruturas
Te mexe, remexe
Formiga na tua pele e depois te desmancha?
Vê se cresce
Amadurece e enobrece esse teu coração
Que já é mole e faz tatuagem de toda miragem que imaginas ver
Deixa eu ser de verdade 
Se for da tua vontade, eu fico
Pra ser tua felicidade
Fazer pra ti e por ti
Tudo o que se possa fazer
Pra ser realidade pra ti e no peito de quem tudo ver.